Despeito.



Decido dormir. Viro pra direita, mas o pescoço incomoda. Viro pra esquerda e a claridade incomoda. De barriga pra cima, tenho pesadelos. Desisto. Vou ver TV. Vou tomar um copo de leite. É, vou ver TV bebendo leite pra ver se o sono chega, já que você não vem.

Canais de igreja me lembram você. A gente podia ter casado, né? Canais de joias me lembram as alianças que teríamos se casássemos. Canais de animais me lembram seus amigos. Canais de humor me lembram as nossas gargalhadas enlouquecidas, mas no fundo eu sabia que você também sabia que a única graça era estarmos rindo juntos. Canais de esporte me lembram as nossas discussões em que eu acabava vitoriosa por lhe faltar argumentos por eu entender mais de futebol que você.

Vou ver um filme. Filme romântico. Ah, não. Ah, sim. E todo aquele amor e aquela complicação que sempre termina em beijo e final feliz me fez chorar. Eu odeio o amor, eu odeio o amor, eu odeio você. Mas é tão lindo... eu quero um assim, eu quero, não quero. Eu quero você. Sem romantismo, sem beleza, só o final feliz. Chega de TV!

Vou sonhar. Acordada. E lá estamos de mãos dadas, achando graça de tudo, colorindo o mundo, causando aquela invejinha em quem passa por nós e sente um pouquinho do carinho. Eu quero estar desse lado. Quero parar de achar ridículo aquele casalzinho se agarrando às sete da manhã, quero parar de sentir vontade de bater naquela menininha chata que fica no celular chamando alguém por apelidinhos com os olhinhos brilhando no elevador, quero parar de escrever coisas ao seu respeito no caderno e depois riscar. Entre morrer de despeito ou de amor, fico com a segunda opção. Afinal de contas, sem o "des" ainda dá pra usar o peito. Pra duas coisas... merda. Lembrei dos canais safadinhos. Vou jogar essa TV fora. Tudo me lembra você. A TV, o sofá, o travesseiro, a cama, os risos, os barulhos na casa... vou jogar tudo fora! Terei que jogar o coração também, aliás, do jeito que ele tá machucado, nem vai fazer muita falta.

Mas então, como eu prefiro morrer de amor, você bem que podia vir antes do sono, trazer o remédio "você de hora em hora pelos próximos 200 anos" e me fazer carinho até dormir. Ou não. Nem estou com sono mesmo. Você vem? Vou ligar. Não. Vou mandar uma mensagem bem cara de pau "te quero hoje e sempre. Pacote completo, por favor, e sem devolução". Vou ligar privado pra ouvir você dizer "alô" e desligar correndo pra não morrer de falta de ar. Depois eu vou conseguir dormir. Não. Não. Vou apagar seus contatos da agenda!             

O que será que você está fazendo agora? Dormindo, pensando em mim ou com alguma vadia por aí? Claro que é a segunda opção. Peraí, eu ainda estou sonhando acordada? Já estou delirando. Acho melhor fazer um café bem forte pra ter pique de fuxicar todas as suas redes sociais, colocar defeito em tudo que você escreve, em todas as mulheres que aparecem e ficar procurando tristeza naquele sorriso lindo que me fez tão feliz. É, vou morrer de despeito.

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Sing A Sad Song



As pessoas seguram uma risada quase de pena.

“Mas não tem ninguém aqui”,
“Mas não ficou mais do que um mês com você”,
“Mas já faz tempo que se foi sem nunca ter sido”.

Então o quê? Nem eu sei.

Mas sei da minha dor de cabeça que já dura meses. Latejando sem parar. O coração que subiu nos meus ouvidos, gritando que sente falta e pronto. Eu sinto falta de olhar o celular, depois de um dia de cão, e ter uma mensagem dizendo que vai dar tudo certo. E sorrir mesmo se estivesse numa fila gigantesca do lado de fora do banco, embaixo de um Sol escaldante.

Não tem poesia nem palavra difícil e nem construção sofisticada. O amor é simples como sorrir numa droga de fila. E não se sentir mais sozinho e nem esperando e nem desesperado e nem morrendo e nem com tanto medo.

Eu sinto falta de querer fazer amigos em qualquer festa, só pra conhecer gente estranha e te contar depois. Agora, eu fico pelos cantos das festas. Voltei a achar todo mundo feio e bobo e sem nada a dizer. Porque eu acho que estava gostando mais das pessoas só porque te via em tudo. Agora as pessoas voltaram a me irritar. E eu voltei a ter que fazer muita força pra sair de casa.

Quando alguém não entende o que sinto, eu lembro daquele dia que você não queria tocar violão pra mim. Até que dedilhou reclamando que não era o seu violão. Daí tentou uma música conhecida. Tentou uma menos conhecida. Daí tocou uma sua, com a voz baixinha e olhando pro nada. E então me encarou e cantou com a voz alta. E então largou o violão, me encarou e cantou bem alto a sua dor, de pé, na minha frente, e eu achei que meu peito ia explodir. E ri achando que você ia sair correndo e dar um show no meio da praça. E naquele momento eu pensei que poderíamos ser infinitos se fôssemos música. E isso explica tudo, mas ninguém entende. Você entende. Mas cadê você?

Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo.

E daí se vai pra onde?

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Love sucks!



Eu também tive meu coração machucado. Dei-me mal, meu amor. Ninguém escapa. O bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios.
Sim, amei sem limites. Dei meu coração em uma bandeja, sonhei com casas, piscinas, viagens, jardins e filhos lindos e espertos correndo atrás de mim pelos corredores. E sei que você também.
Mas tudo está bem agora. Eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida do que sofrer por amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas chances. Tantas frases, e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. E nunca para!
Temos um mundo pela frente. E olhe para ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sentimos e almejamos. Sofrer por amor dói, eu sei. Dói, e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa.
Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença, não dá mais para esperar o mundo girar ao contrário. Meu tempo não se mede mais em relógios. E a vida, lá fora, nos chama.

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Prometo estar lá (Dia do Amigo)


E eu prometo estar lá. Mesmo que caia uma tempestade dentro ou fora. Mesmo que a Terra comece a girar ao contrário.
Mesmo que a sua casa desmorone e na sua rua abra um buraco gigantesco. Mesmo até se você se vir diante de um penhasco que não dá para ver o fundo. Eu estarei lá para te puxar de volta e jamais deixar que você caia.
Quando você estiver triste, se sentindo só, ou quando alguma coisa te fizer chorar, eu esperarei na porta do seu quarto, paciente, dando o seu momento e esperando você me olhar com aquele olhar de quem precisa de um abraço. Eu estarei lá para dar esse abraço e enxugar suas lágrimas.
Nos dias mais felizes, eu estarei lá para ouvir suas novidades, compartilhar sorrisos e suspiros. Estarei lá porque eu quero estar lá, e porque eu preciso saber que você está bem.
E, quando eu não puder estar em corpo, ligarei apenas para dizer que precisava ligar e ouvir a sua voz. E para dizer que eu, ainda assim, perto ou longe, estou com você.
Não importa se você tiver momentos de fraqueza. Eu serei forte por nós.
Não importa se você tiver momentos de raiva. Eu segurarei suas mãos e não deixarei você sair de si.
Não importa se você tiver momentos de desespero e se perder. Eu estarei lá para te dizer que sempre há uma saída.
Sim, eu estarei lá. Até mesmo se o Sol parar de brilhar e a escuridão tomar maior parte do seu mundo. Eu segurarei sua mão e te guiarei. E eu jamais deixarei que você tenha medo do escuro, eu tirarei você de lá. Nem que eu tenha que aprender a brilhar para isso.
E eu prometo estar lá. Ao seu lado. Para sempre.

Desventurada.

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Não sei amar pela metade

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.


Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!


[Clarice Lispector = Inspiração]

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As notas musicais

Certa vez, eu disse: “Quando duas notas não combinam em um arranjo, a música não se faz. Procure as notas que se encaixam e você terá a mais bela melodia.”
Essa metáfora da nota musical se traz para o mundo real. Pessoas são como notas, nem todas combinam umas com as outras. Há muitas notas que sozinhas são lindas, mas não se iluda com isso. Nem sempre o belo é verdadeiro e se encaixa. Saiba se colocar no seu lugar.

Sabedoria é saber a hora de dizer adeus.

Desventurada.

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A Doença


Estou doente. E não é doente da forma convencional que todo mundo conhece, não! Eu estou realmente doente. Doente e em apuros.
Há uns anos atrás, eu dizia que estava doente quando, por ventura, adquiria uma gripe rápida, um resfriado de dois dias ou, mais seriamente, um machucado em alguma parte do corpo em acidentes (sempre fui profissional neles). Mas dessa vez não. Dessa vez é diferente. Dessa vez eu sei que estou doente. E todos os instintos do meu corpo vibram em coral – e com uma trombeta – anunciando isso. E só Deus sabe os riscos que eu corro.
Quando eu era criança, costumava achar que vivia em um mundo mágico, em uma eterna fantasia. E eu não me culpo. Culpo minha mãe, que enchia meu quarto com filmes da Disney. De qualquer forma, eu acreditava que vivia um sonho real: sem responsabilidades, sem trabalhos, sem preocupações, onde o único motivo para ter tristeza era perder o horário do meu desenho animado favorito. E, mais que isso, eu pensava que as pessoas eram intactas e nunca sofriam de nada. Dizem por aí que as crianças são mais sensitivas, que percebem as coisas mais facilmente, mas eu não era assim. Eu tinha tudo fácil demais, era sempre simples demais, quase perfeito.
E foi assim por um bom tempo. Até que, em um dia qualquer, eu sofri meu primeiro machucado. Sério, quase dez anos de idade e eu nunca tinha sofrido um arranhão muito grande. Parece bobagem, mas aquele machucado significou muito pra mim. Enquanto eu via meu sangue escorrendo em minhas mãos e as lágrimas em meus olhos, eu comecei a perceber quão frágil era. E aquilo mudou minha vida para sempre. E, de repente, eu me tornei a pessoa mais sensível do mundo todo, quase sem exageros.
As consequências? Ah, muitas! Eu fui crescendo e, inevitavelmente, fui conhecendo o mundo real, fui saindo do meu “conto de fadas” particular. E aí, meu querido, a coisa ficou realmente feia. Decepções atrás de decepções. Tristeza já não era perder o episódio do meu desenho favorito, mas perder uma pessoa. Mesmo assim, mesmo com tantas coisas que me infernizavam, mesmo com tanta “labuta”, eu nunca, nunca mesmo, me senti como estou me sentindo agora.
Olha, você precisa saber: viver duas décadas é muita coisa. E eu, particularmente, já vivi de quase tudo e já sofri de quase tudo. Mas hoje eu estou aqui, doente de uma doença que está me fazendo morrer aos poucos. E não é morrer da forma física, não! Não é morrer e, papú!, acabou vida, pode trazer o caixão. É pior. É muito pior. É morrer por dentro, é matar aquilo que é sua única segurança pra encarar esse mundão aí fora: a esperança. E, meu amigo, quando a esperança morre, o resto todo perde sentido.
E essa doença é tão impertinente, que me invade as entranhas, alástra-se  pelo meu corpo e apodera-se da minha alma, deixando-me sem forças para fazer qualquer coisa que seja. Perco a vontade de sair, perco a vontade de até mesmo levantar da cama quando acordo. E dói. Cara, como dói! É uma dor safada, porque ela fica “cutucando” aquele órgão que eu tinha esquecido a existência faz tempo: o coração. Porque é isso aí, por um bom tempo eu achei que não tinha mais coração. Mas essa doença é engraçada, ela faz de propósito, ela faz doer somente para me mostrar o quanto eu estava errada e que meu coração continua lá. Frio e vazio, mas continua lá.
Ou melhor, não mais tão vazio, agora está cheio dessa dor. Essa dor que nunca pensei sentir e que nem mesmo achei que era possível sentir. Minha mente já não consegue se ocupar com nada mais, só em buscar uma forma, qualquer uma, de me livrar disso. Mas essa é a parte negativa. Eu estou doente de uma doença que tem cura. Mas estou em apuros, porque eu não sou merecedora dessa cura, então é como se ela não existisse. Estou presa no meu maior pesadelo, naquela parte dos contos de fadas em que a “bruxa” aparece. E eu estou sem saída. Mais do que nunca, sem nenhuma saída.

Desventurada.

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