Sing A Sad Song



As pessoas seguram uma risada quase de pena.

“Mas não tem ninguém aqui”,
“Mas não ficou mais do que um mês com você”,
“Mas já faz tempo que se foi sem nunca ter sido”.

Então o quê? Nem eu sei.

Mas sei da minha dor de cabeça que já dura meses. Latejando sem parar. O coração que subiu nos meus ouvidos, gritando que sente falta e pronto. Eu sinto falta de olhar o celular, depois de um dia de cão, e ter uma mensagem dizendo que vai dar tudo certo. E sorrir mesmo se estivesse numa fila gigantesca do lado de fora do banco, embaixo de um Sol escaldante.

Não tem poesia nem palavra difícil e nem construção sofisticada. O amor é simples como sorrir numa droga de fila. E não se sentir mais sozinho e nem esperando e nem desesperado e nem morrendo e nem com tanto medo.

Eu sinto falta de querer fazer amigos em qualquer festa, só pra conhecer gente estranha e te contar depois. Agora, eu fico pelos cantos das festas. Voltei a achar todo mundo feio e bobo e sem nada a dizer. Porque eu acho que estava gostando mais das pessoas só porque te via em tudo. Agora as pessoas voltaram a me irritar. E eu voltei a ter que fazer muita força pra sair de casa.

Quando alguém não entende o que sinto, eu lembro daquele dia que você não queria tocar violão pra mim. Até que dedilhou reclamando que não era o seu violão. Daí tentou uma música conhecida. Tentou uma menos conhecida. Daí tocou uma sua, com a voz baixinha e olhando pro nada. E então me encarou e cantou com a voz alta. E então largou o violão, me encarou e cantou bem alto a sua dor, de pé, na minha frente, e eu achei que meu peito ia explodir. E ri achando que você ia sair correndo e dar um show no meio da praça. E naquele momento eu pensei que poderíamos ser infinitos se fôssemos música. E isso explica tudo, mas ninguém entende. Você entende. Mas cadê você?

Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo.

E daí se vai pra onde?

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